“BB”* (Microcurta)

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O filme exibido na televisão, cujas cenas são alternadas com as do personagem mudando de canal, é 1984, de Michael Radford, adaptação (dã) do livro do Orwell. A montagem é bem opaca, sem linearidade, no sentido de que não pretende construir um enredo, mas induzir o espectador a um conceito, que  fica mais ou menos bem expresso no plano final. Em resumo, não é um filmiho de enredo, porém algo mais conceitual, ou coisa que o valha.

O plano final é um artifício para expressar, por fim, esse conceito. O artifício serve ao mote central, que é a ideia de alienação do indivíduo em relação a si mesmo, complementar ao jogo de observar e ser observado sem que se veja, absolutamente, o que de mais relevante há e que identificaria em o dito personagem de fato é  (o rosto, no caso). A alusão àquela famosa tela de René Magritte, Reprodução Interdita, é óbvia.

Lembro que Luis Buñuel arriscou uma definição dessa poética do inconsciente que chamamos de surrealismo: o triunfo do trivial sobre o essencial. Desconhecia essa definição quando realizamos o micro;  e ironicamente, tenho a impressão de que, ainda que não de todo conscientes, foi exatamente isso que expressamos com ele.

"Reprodução Interdita"

"Reprodução Interdita" - René Magritte

*Este filme de aproximadamente um minuto foi originalmente produzido em conjunto com a Sarah e o Daniel para a disciplinade Mídia Audiovisual, da Fabico, cursada em 2009/2.

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