Camus

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Há 50 anos, em 4 de janeiro de 1960, faleceu o grande escritor argelino Albert Camus, em um acidente de carro. Admiro Camus imensamente, não apenas como o escritor de obras-primas como

O Estrangeiro,O Mito de Sísifo,A Quedae por aí vai; mas sobretudo por seu caráter, o intransigente humanismo que defendeu com ardor durante toda a sua vida.

O necrológico ficou a cargo de Jean-Paul Sartre, com quem Camus manteve uma próspera e intensa amizade por quase uma década – rompida publicamente em 1951, quando Camus lançou o então controverso

O Homem Revoltado.Ao que parece, o desentendimento de ambos só foi de fato redimido com a morte de Camus. No necrológico, Sartre o lembrou como o legítimo herdeiro literário da longa linhagem de grande moralistas franceses (entre eles, Montaigne, Champfort e Voltaire). E acrescentou, com razão: “seu humanismo insistente, estreito e puro, austero e sensual, travava um combate duvidoso contra os acontecimentos maciços e disformes deste século. […] Eleera, por assim dizer, essa inabalável afirmação”.

Poderia me estender falando de minha leitura (muito pessoal) de suas obras. Mas não vou; momentos mais oportunos virão. Basta dizer que Camus moldou todo o seu trabalho lierário e filosófico sobre dois temas que oobcecavam: o absurdo da condição humana que encontra para si não mais que um mundo indiferente (ou um Deus que silencia) e a revolta que, contrapondo o alheamento, denuncia como inaceitável a habitual apatia diante do sofrimento ao qual ninguém, sob o sol do absurdo, pode escapar. Cada linha sua pretendeu pôr a nu a mais pungente verdade da condição humana. Mas essa verdade, por mais áspera, não lhe bastou. Sendo um humanista, procurou o que nos resta fazer uma vez conscientes dela.

A respeito de

O Homem Revoltado, afirmou:Quis dizer a verdade sem deixar de ser generoso”.Desconheço frase que sintetize melhor seus propósitos.

Abaixo, uma animação muito bacana,

Sisyphus, uma releitura criativa do mito de Sísifo, a alegorias a que Camus mais recorre para explicar o absurdo. Conta-se que Sísifo, por motivos pouco sabidos, fora condenado pelos deuses a empurrar uma pedra até o topo de uma encosta íngrime, de onde ela quedava de volta; e Sísifo recomeçava seu suplício uma vez mais. E tantas mais…

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